RASCUNHO

Rascunho da carta que será enviada ao Sr.Prefeito.
Colaborem com suas opiniões !

Rio, 10/06/2010

Ao Exmo. Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro
Dr. Eduardo Paes
Ref: ocupação espaços públicos em Ipanema

Exmo. Sr. Prefeito,

O Projeto de Segurança de Ipanema, movimento voluntário e apartidário da sociedade, vem neste momento, lhe transmitir a nossa preocupação com o adensamento ocupacional de nossas calçadas, praças e jardins. Temos observado o aumento de autorizações, sem consulta aos moradores, para que diversas atividades se estabeleçam no bairro usando os locais públicos mantidos com os mais altos impostos da cidade.
1) FEIRA DE PRODUTOS ORGÂNICOS NA N. SRA. Da PAZ - não entendemos porque um local público é cedido para um grupo exercer nele atividades comerciais. Não duvidamos da qualidade e de tudo de bom que os produtos orgânicos podem oferecer à população. Sei que muitos de nossos voluntários, inclusive eu, são consumidores destes artigos. Eles podem ser encontrados nos vários supermercados, assim como nas inúmeras lojas de produtos naturais, do bairro. A Praça N. Sra. da Paz se encontra muito degradada: é dormitório de população de rua, suas grades são sistematicamente quebradas para que os mendigos possam entrar e dormir, suas árvores servem de guarda roupa de trapos e sacolas, já tem uma feira semanal que arrebenta com o calçamento, e não necessita de mais adensamento ocupacional e sim de um adotante que recupere o seu paisagismo e mantenha a segurança local. Quanto mais comércio houver ali, tanto mais difícil vai ser conseguir quem a adote.
2) VINICIUS DE MORAES – a rua Vinicius de Moraes entre a Prudente de Moraes e a Barão da Torre, atualmente é um aglomerado de população de rua, apontadores de jogo do bicho, camelôs etc. Para aumentar um pouco mais a balbúrdia, a prefeitura deu autorização para que um chaveiro se instalasse no trecho entre Prudente e Visconde. O que traz este comércio de benefício para o bairro, já super lotado de chaveiros? Nada. Só adensamento em um local que já se encontra muito degradado e saindo completamente do controle do poder público. Neste local temos diariamente: o chaveiro, dois bares, dois apontadores de jogo do bicho, ponto de burro sem rabo e como não poderia deixar de ocorrer uma ou duas famílias que ali se instalaram. Do outro lado da Visconde, a situação da Vinicius continua. Temos uma banca de jornal, que está ali há muitos anos, é verdade, espremida entre um bar que tem por hábito colocar seu estoque de cerveja na calçada, e mais cadeiras e a padaria Martinica. Qual é o resultado? Os camelôs que se instalam no local, simplesmente, já estão estabelecidos. É só a GM sair para o almoço ou depois de 17.30 que o local se enche de produtos falsificados e pirateados. A padaria Martinica já perdeu a conta do número de vezes que tentou refazer as jardineiras, sempre arrebentadas por esta concentração de atividades na sua porta. Ela por sua vez, também aproveita a desordem e coloca a máquina de assar frango, na calçada como se tornou o hábito estabelecido no local. Já reclamamos desta situação e, sobretudo, do chaveiro que é o mais novo premiado com um local público para exercer suas atividades privadas, sem nenhum bônus para a sociedade que mantém o local. O chaveiro se instalou há não mais que quinze dias sob a argumentação da administração regional de que ele seria o resultado de ajustes na realocação de ambulantes. O que o bairro e, sobretudo, os moradores e comerciantes da Vinicius de Moraes tem a ver e pagar por esta necessidade da prefeitura? A rua tem uma excelente loja fechadas há anos e que certamente, se tivessem um ambiente favorável à instalação de um comércio mais qualificado já estariam, há muito, gerando emprego, renda e impostos.
3) – VISCONDE ESQUINA COM GARCIA D’AVILA – tem um ponto de van, certamente pirata, pois ele não é sequer autorizado que para em plena Visconde de Pirajá, a principal artéria comercial do bairro trazendo todo tipo de transtorno aos moradores e criando ambiente de insegurança e degradação para a população. Fazem barulho, sujeira, atraem uma atividade paralela altamente danosa, como jogo do bicho, camelôs, e sobretudo deixam a população completamente impotente diante da ocupação de seus espaços sem que o poder público faça qualquer tipo de repressão. Não é admissível que qualquer um que queira venha a ocupar as nossas calçadas fazendo o que quer e bem entende.
4) – JARDIM DE ALAH – saiu na mídia que a mesma empresa que montou uma academia de ginástica na orla em 2008 e 2009, montaria outra no Jardim de Alah. O jardim que já foi um ponto alto do bairro, encontra- se completamente degradado, sujo, com os equipamentos quebrados, virou um parcão para cachorros, moradia de população de rua e local de coleta e revenda de catadores de lixo. Ora, se uma empresa vai usá-lo, o mínimo que deveria ser exigido é que a mesma adote o jardim, restaurando seu mobiliário e paisagismo e colocando segurança público/ privada no local.
5) – Farme de Amoedo – entre a praia e a Prudente – xixi, sujeira, depósito de lixo e local de estoque de barraqueiros.
6) manutenção das cerâmicas vermelhas e da parte de cimento da Visconde, é deplorável. O material é de pouca durabilidade, em pouco tempo de uso fica todo quebrado, com buracos dando um aspecto horrível às calçadas, prejudicando o comércio e os passantes. Propomos a troca por material mais nobre como granito.
7) – Feira Hippie – a feira começou há uns quarenta anos atrás com cerca de trinta artesãos. Hoje ela conta com 600 expositores e deixou de ser feira de artesanato há muito tempo. Transformou-se, infelizmente, em um camelódromo onde se vende de tudo: produtos falsificados, sem origem, contrabandeados, roupas, óculos, bonés, DVDs, bijouteria, industrializados etc. Como são diversos os órgãos públicos encarregados de organizar, fiscalizar e policiar o local: Fundação Kalouste Gulbenkian, receita municipal, receita federal, SEOP, Secretaria de Manutenção, Controle Urbano, PM, GM e Polícia Civil, fica impossível exigir uma ação saneadora mínimamente eficiente. Diante de tal fato, nós moradores de Ipanema profundamente incomodados com a desordem descontrolada a que somos submetidos todos os Domingos pedimos que a feira seja transferida para outro local, fora do nosso bairro, para que tenha condições mais adequadas em face às dimensões que tomou.

Sr. Prefeito, por favor, tome estas observações, não como críticas mas sim como a colaboração positiva dos moradores de Ipanema que querem resgatar seu bairro de um processo de favelização, que infelizmente ocorre em toda a cidade. Queremos que nossas praças, calçadas e praia sejam locais de convivência pacífica da população da população. Queremos a ocupação qualificada destes espaços, turismo de alto poder aquisitivo, que seja estimulante para a atividade econômica formal, geradora de renda e empregos. Atenciosamente

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