MAURO VENTURA

Enviado por Mauro Ventura -

.Na praça

Fui até as praças Nossa Senhora da Paz e General Osório ver a confusão. Mas cheguei tarde. Um amigo conta que a polícia prendeu um suspeito, que estava posicionado atrás dele:

- Pega o bebel! - disse um PM, ou algo parecido, referindo-se ao rapaz.

Acho que deve ser uma gíria policial para suspeito. Algumas pessoas haviam dito que as caixas tinham bombas e explodiram, mas na verdade era a detonação do esquadrão antibombas. Pergunto a um guardador da Embrapark se ele ouviu falar que podia ser campanha publicitária, e ele diz que não.

- Mas se for o cara merecia um Oscar. Parou a Zona Sul.

Ou vaias. Afinal, a campanha não podia ter ocorrido em momento mais equivocado. Isso é que timing errado. E, conforme foi apurado, a empresa Moda, Promoções & Eventos fez a publicidade mesmo sem autorização da subprefeitura. Pelo que vejo na internet, ela "quer ser reconhecida como a agência de marketing promocional que mantém em seu casting profissionais com vasta experiência e capacitação, proporcionando aos seus clientes e parceiros uma experiência de satisfação única". De fato, foi uma experiência única, mas não de satisfação.

De qualquer forma, a cena mostra o nível de paranoia e estresse a que chegamos.

De um lado da Nossa Senhora da Paz está sendo preparado o lindo presépio da igreja. De outro, a caprichada decoração de Natal de um banco, que sempre atrai levas de espectadores embevecidos. E, num terceiro lado, as caixas e o esquadrão antibombas, destoando de tudo.

Uma mulher passa por mim no celular:

- Quer dizer que eu já posso ir à General Osório? Está liberada?

Lembrei-me da entrevista de domingo com o ator argentino Ricardo Darín, feita pelo André Miranda. Ele contou que conheceu um libanês na Espanha, que lhe falou de como era a vida em Beirute durante a guerra. A rotina da família era regulada pelos bombardeios. Pelo barulho, eles se davam conta da distância que as bombas caíam e decidiam o nível de tensão com que iriam passar à noite.

Estamos assim, tendo que monitorar a cidade, vendo roubado o direito de ir e vir.

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