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Após UPPs, favelas do Pavãozinho e Cantagalo terão a 1ª eleição livre da influência do tráfico em dez anos

Antonio Werneck

RIO - Cerca de dez mil moradores das favelas do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, em Copacabana e Ipanema, devem comparecer às urnas no próximo dia 28 para eleger o novo presidente da associação de moradores das duas comunidades. É a primeira eleição livre, sem interferência do tráfico, em dez anos. A decisão da comunidade de organizar uma eleição direta é consequência da ocupação das favelas por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), instalada na área em dezembro de 2009.

- A eleição livre e direta no Pavão-Pavãozinho e no Cantagalo é extremamente importante. É o retorno da vida numa comunidade pacificada. Um marco da democracia e da cidadania - afirmou o coronel Robson Rodrigues da Silva, comandante-geral das UPPs.

UPPs já atendem 213 mil moradores na cidade

O Rio tem 12 UPPs implantadas e uma em fase de implantação, em 40 comunidades, atendendo 213 mil moradores, segundo cálculos da Polícia Militar. O coronel Robson acredita que outras comunidades devem iniciar em breve o processo eleitoral para escolher seus representantes locais.

- Num passado não muito distante, apenas os moradores "amigos" do tráfico podiam participar, muitas vezes em eleição sem concorrentes. Eram raros os casos de morador concorrerem sem apoio de bandidos. Há vários relatos de pessoas que morreram enfrentando o narcotráfico - disse o coronel Robson.

Quatro chapas, uma delas comandada pela atual presidente, disputam os votos dos moradores do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo. Para eleger seu novo representante, moradores criaram até uma comissão eleitoral formada por seis pessoas. O grupo é responsável pelo acompanhamento de todo o processo. No domingo passado, os quatro concorrentes participaram de um debate que as comunidades puderam acompanhar ao vivo, pela rádio comunitária. No próximo domingo, um novo debate será realizado.

As principais promessas de campanha dos concorrentes incluem antigas reivindicações dos moradores. Na lista estão, por exemplo, negociar com os governos federal e estadual para a conclusão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); lutar pela melhoria da coleta de lixo; urbanizar ruas e praças; conseguir a instalação de bancos, como acontece na Favela da Rocinha; e lutar para que a prefeitura conserte e faça a manutenção do plano inclinado, que transporta moradores e compras até a parte mais alta da comunidade.

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