CARNAVAL 2011

Blocos vão a Cabral contra exigências da PM

Selma Schmidt e Fábio Vasconcellos

.RIO - A primeira polêmica envolvendo o carnaval de rua do Rio já está na passarela do samba. Diante das exigências feitas pelo comando do 23º BPM (Leblon) para autorizar desfiles, o presidente da Associação de Blocos Folia Carioca, Ricardo Rabelo, pretende pedir uma audiência ao governador Sergio Cabral. Ele quer que as agremiações tenham um tratamento diferenciado ao que é dado a grandes eventos. Para isso, defende que os blocos sejam excluídos da resolução da Secretaria de Segurança que, desde 2007, estabelece as normas para a aprovação de eventos artísticos, sociais e desportivos no estado.

- O carnaval de rua traz divisas para a cidade. Não se pode exigir de um bloco o mesmo que se pede para a realização de um grande show como o da Madonna ou o dos Rolling Stones. Ninguém quer fazer nada à margem da lei, mas sim obedecendo a uma legislação adequada - diz Rabelo.

O líder da associação, que reúne 19 blocos, entende que bastam o "nada a opor" da Riotur (concedido após consulta a órgãos municipais, como a CET-Rio e a Rioluz) e o da PM.

- A resolução exige ainda autorização do Corpo de Bombeiros, da Fundação Parques e Jardins e da Polícia Civil. Os blocos têm também que contar com uma UTI móvel e postos de observação de tantos em tantos metros. Estamos indo ao 23º BPM, que está entregando a cópia da resolução e informando que só dará o "nada a opor" após o cumprimento de cada exigência - diz Rabelo, que também preside o Bafafá.

O protesto contra a exigência do cumprimento da resolução pelo 23º será o enredo da abertura extraoficial do carnaval dos blocos, no próximo domingo na Praça Quinze. A Riotur tem 465 blocos registrados, mas muitos não se reúnem em associações. Presidente da Sebastiana - que congrega os 12 maiores do Rio, entre eles o Simpatia É Quase Amor e o Suvaco do Cristo -, Rita Fernandes espera que a decisão tomada no carnaval passado pelo comando da PM, que não tratou os desfiles de blocos como eventos, seja mantida:

- Bloco de rua não é evento, é cultura - diz Rita.

O comandante do 23º BPM, tenente-coronel Roberto Garcia, explica que pretende analisar os pedidos feitos pelos blocos. Segundo ele, que assumiu o cargo há apenas dois meses, o batalhão não é contra os blocos:

- Estou sabendo por você que eles não teriam condições de cumprir a resolução. Talvez no passado tenha havido uma maior flexibilidade. Não sei. Vou analisar para saber - disse Garcia ao GLOBO.

Para a presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, não adianta exigir demais dos blocos:

- Não adianta forçar a barra para os blocos não saírem irem e saírem de qualquer maneira, sem autorização. A PM tem de dar a segurança. A prefeitura deve orientar o trânsito, pôr banheiros suficientes, impedir bebidas em garrafas e reprimir o excesso de ambulantes.

Diretor da Associação de Moradores de Ipanema, Roberto Motta diz ser favorável às exigências:

- Não temos nada contra a alegria, mas está na hora de botar um pouco de bom senso nessa questão. Absurdos acontecem durante a passagem dos blocos.

Já o presidente da Riotur e secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, garante que cumprirá o seu papel:

- Vamos entrar com o bloco da prefeitura: Guarda Municipal, Comlurb, CET-Rio e Secrearia de Saúde, todos sob a batuta da Riotur.

No carnaval de 2010, blocos arrastaram até 30 mil foliões pelas ruas e 62 pessoas foram detidas urinando na rua - 14 delas só no tradicional Simpatia. Fiscais do Choque de Ordem também removeram 30 barracas de acampamento montadas irregularmente por ambulantes nas areias de Ipanema.

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