INVESTIGAÇÃO

Polícia investiga ação de seguranças ilegais no comércio de Ipanema

Bernardo Barbosa -

A cena foi flagrada por um casal que almoçava num restaurante na esquina das ruas Visconde de Pirajá e Farme de Amoedo, em Ipanema, no domingo passado: ao ver um garoto pedir comida a turistas, em frente à lanchonete Néctar, um homem branco e alto saiu do Galitos Grill, atravessou a rua e deu dois tapas no rosto do menino, que carregava uma caixa de engraxate.

Com a ajuda de outro homem, negro e também alto, o menor foi retirado à força do local. O casal tentou ainda interceder a favor do jovem, sem êxito: “Minha namorada levantou a voz e pediu que soltassem o menor. Nisso, o agressor ergueu a mão, em sinal de que deveríamos manter distância, disse que era autoridade e estávamos atrapalhando seu serviço. Acrescentou que, se não parássemos, iríamos nos arrepender”, contou o leitor no relato que enviou ao site do GLOBO.

Conversando com pessoas no local, o leitor soube que os dois homens são seguranças ilegais, pagos por comerciantes, e que costumam abordar pedintes com violência. “Poucos minutos depois, os dois seguranças retornaram ao local, separados. Um deles se aproximou de nós, fingindo conversar com um atendente de um dos restaurantes, e tentando ouvir com quem e o que falávamos ao telefone.” TWITTER : Siga @OGlobo_Rio e acompanhe as notícias da cidade EU-REPÓRTER :Conhece bairros com segurança ilegal? Mande seu relato, foto ou vídeo Há cinco meses foi aberto um inquérito, que apura os crimes de extorsão e formação de quadrilha, na 14ª DP (Leblon).

O presidente da Associação Comercial de Ipanema e Leblon, Carlos Monjardim, contou que comerciantes procuraram a entidade, queixando-se de tentativas de extorsão e de assaltos a estabelecimentos que não concordavam em pagar pela segurança: - Um deles chegou a pedir a um comerciante uma TV de plasma de 42 polegadas para dar de presente à esposa. São moradores do Morro do Cantagalo que usam o fato de viverem lá para tentar intimidar os comerciantes.

Mesmo com a investigação, o problema continua a ocorrer. Um comerciante daquela área, que pediu para não ser identificado, contou ser obrigado a pagar R$ 120 por semana aos seguranças ilegais para não sofrer represálias. O mesmo comerciante afirma que não viu a agressão sofrida pelo menor no domingo passado, mas sabe que o segurança costuma agir dessa maneira com frequência. O gerente do Galitos Grill, Sérgio Santos, disse que estava no restaurante no domingo, mas nada viu: - O pedinte existe e nenhum cliente quer ser incomodado.

Mas nunca compactuamos com agressões contra quem quer que seja. Antônio Eriberto, gerente do Néctar, disse não ter testemunhado o incidente, mas soube do que ocorrera pela gerente da manhã: — Ela contou que o engraxate foi agredido na calçada. Ainda segundo Antônio, o Néctar não paga qualquer tipo de segurança, nem própria, nem da rua.

Um comentário:

Anônimo disse...

Procurem também saber sobre a segurança ilegal dentro da Feira Hippie de Ipanema, alguns elementos da mesma "firma" também atuam do lado de fora...

Essa vergonha tem que acabar!