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Cabral despreza a opinião pública
Ricardo Noblat


Edgar Catoira, CartaCapital

Foi-se o tempo em que governantes davam ouvidos e crédito à opinião pública, além do interesse nas pesquisas pré-eleitorais, essenciais para chegarem ao poder. Quando são candidatos, dizem o que o povo quer ouvir. Empossados, dão-lhe as costas e fazem o que querem.

Caso emblemático, sobre o qual já protestei em outro artigo, é o da forma como se pretende expandir o Metrô do Rio rumo à Barra da Tijuca, num compromisso assumido com o Comitê Olímpico Internacional, mas não com os maiores interessados, os cariocas.

Pois bem, os moradores do Rio, Ipanema em particular, não querem a destruição da tradicional Praça Nossa Senhora da Paz.

Antes de qualquer tipo de intervenção, o carioca quer paz e manter o ambiente local tal como é, sob o argumento simples, mas poderoso, de que não se mexe em time que está ganhando.



Foto: Ricardo Noblat (instagram)

Afinal, um levantamento mostra que a praça possui 113 árvores, algumas mais que centenárias, que deverão ser retiradas para a construção da estação de metrô. Estação que – repito – ninguém quer ali, fora o governador Sergio Cabral.

A propósito das discussões a respeito da localização dessa rejeitada estação, a vereadora Sônia Rabello escreveu, com a lucidez de quem ama a cidade: “Em seu trajeto atual, o Metrô do Rio está circunscrito à Cidade do Rio de Janeiro. No entanto, em audiência pública (13/02) para apresentação do Relatório de Impacto Ambiental da chamada Linha 4, não havia nenhum representante da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Um espanto!”

Eu não acho “espanto”. O prefeito Eduardo Paes quer se reeleger este ano e, para não perder o apoio de Cabral, não enfrenta a polêmica. Calado, não decreta o tombamento da bucólica praça, e deixa tombar as árvores que os moradores tanto querem preservar.

Se não fossem as explosões diárias ouvidas em Copacabana e Ipanema, teríamos a impressão de que nada estaria acontecendo. Mas as obras e a agressão continuam avançando.

De qualquer jeito, fica claro que o governador Cabral é obstinado, tal como o folclórico Odorico Paraguassu, que queria inaugurar um cemitério a qualquer custo – e a escavação do metrô vai muito além de sete palmos.



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