HOSPITAL DE IPANEMA

'Estadualização não tem lógica', diz médico do hospital de Ipanema

Luis Philipe Souza
Rio+

Após a manifestação de médicos e funcionários contra a estadualização do Hospital Federal de Ipanema nesta quarta-feira, o SRZD conversou com o Chefe do Serviço de Cirurgia Geral da unidade, Otávio Vaz. O médico criticou a intenção de construir um centro de transplantes no local que é referência nacional em cirurgias de alta e média complexidade.

"Não faz sentido. O hospital executa um total de 4 mil cirurgias por ano só no centro cirúrgico. Não sei para onde esse doentes irão caso tranformem o hospital em centro de transplantes. A estadualização não tem lógica", explicou, acrescentando que mais de 100 mil consultas foram realizadas em 2011.

- Manifestantes protestam contra estadualização do hospital de Ipanema

Vaz reconheceu que um centro de transplantes é necessário para a cidade, mas ponderou que a Zona Sul não é apropriada para receber o serviço. Ele alegou que o trânsito e a quantidade de residências são os principais fatores que dificultam a mudança.

"O serviço de transplante necessita de rapidez, e a Zona Sul não é nada apropriada para isso. A unidade de Ipanema é isolada de tudo, tem que enfrentar o trânsito...além disso, os moradores próximos nunca concordariam com um heliponto na unidade", disse.

Para o médico, que também é membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), a solução está no investimento em outros hospitais que já existem, e não no fechamento da unidade de Ipanema. De acordo com ele, o hospital da Zona Sul é pequeno e não supriria a necessidade de um centro de transplante.

"A solução é reaparelhar os hospitais de Bonsucesso, dos servidores, da Uerj, por exemplo. Esses sim têm estrutura para suprir um centro de transplantes, que tem que ser acoplado a um ambiente hospitalar preparado. O (hospital) de Ipanema é pequeno, já cogitaram até demolir para construir outro. De repente é mais negócio apostar nos que já existem e estão em parte desativados", afirmou.

Ainda de acordo Otávio Vaz, nos próximos dias um grupo de manifestantes será recebido pelo representante do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro no intuito de justificar a manutenção dos serviços do hospital.

Outras entidades que também sairão em defesa da unidade de saúde são o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), que vão redigir uma nota ao governo estadual.


Um comentário:

Anônimo disse...

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