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Moradores de rua montam acampamento em Ipanema

Com pedaços de papelão, eles improvisam abrigo na areia

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No cartão-postal. Uma barraca montada por moradores de rua na Praia de Ipanema: os mendigos ocuparam uma área de vegetação de restinga
Foto: Pablo Jacob / O Globo
No cartão-postal. Uma barraca montada por moradores de rua na Praia de Ipanema: os mendigos ocuparam uma área de vegetação de restingaPABLO JACOB / O GLOBO
RIO - Morar de frente para o mar de Ipanema, um dos endereços mais famosos do Brasil, mais precisamente no quarteirão da Avenida Vieira Souto entre a Rua Aníbal de Mendonça e a Avenida Henrique Dumont. Uma realidade para poucos, numa área da cidade onde o metro quadrado custa, em média, R$ 35 mil. Foi esse o local, um dos mais belos cartões-postais do Rio, escolhido por um grupo de moradores de rua para montar acampamento. Com pedaços de papelão, eles instalaram uma pequena cabana na areia, em meio à vegetação de restinga, uma área de proteção ambiental. Agentes da Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop) contam que já os retiraram do local várias vezes, mas eles sempre retornam.
Moradores do bairro reclamam da desordem, como mostrou a colunista Lu Lacerda em seu blog, na segunda-feira. Além de acamparem na areia de Ipanema, os moradores de rua fazem fogueiras e todas as necessidades fisiológicas no local. Na terça-feira, por volta das 10h e num calor de mais de 34 graus, um homem dormia tranquilamente debaixo da casinha de papelão. Na calçada junto aos prédios, na esquina da Henrique Dumont, uma mulher carregava os seus pertences e transformou o canteiro em casa.
Cerca é usada como cabide e varal
Roselene Moraes, que vive na Rua Prudente de Morais e frequenta diariamente a praia, disse que o número de moradores de rua aumentou no bairro. Ela contou que, à noite, são montados acampamentos em vários pontos da praia.
— Quem passa no calçadão não consegue ver os que estão no meio da vegetação. Eles ficam nas cabanas à noite e chegam a usar a cerca de arame, instalada para proteger a vegetação, como cabide e varal — reclama Roselene.
A Seop informou que rotineiramente tem tirado as pessoas desses locais e que a sua atribuição é apenas impedir que elas se fixem em áreas públicas.
Já a Secretaria municipal de Assistência Social informou que, desde janeiro, 2.200 moradores de rua foram abordados na orla do Leblon ao Leme. Do total, 1.084 foram recolhidos de dia e 1.116, pela equipe de abordagem noturna (que atua das 22h às 4h). Cinquenta por cento eram adultos, 10% idosos, 22% crianças ou adolescentes e 18% jovens.
A própria Secretaria de Assistência Social reconhece, no entanto, que esse número pode incluir abordagens feitas a uma mesma pessoa, já que os abrigos não são fechados, no caso dos adultos, e muitos preferem não permanecer no local, voltando para as ruas.

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