BLOG DO NOBLAT



Brasília, 22 de outubro de 2012
Enviado por Ricardo Noblat - 
22.10.2012
 | 
13h03m
GERAL

No Rio, a destruição de um bem tombado, por Ignez Barretto

O projeto para o metrô da Linha 1 em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro utiliza alta tecnologia nas escavações do túnel com o tatuzão, considerado o máximo em termos de engenharia para este tipo de obra.
No entanto, embora paradoxal, o governo fez a opção de construir a Estação N. Sra. da Paz em metodologia de vala aberta que implicará em diversos transtornos para a população - fechamento da praça, barulho, poeira e sobretudo a destruição e descaracterização de um bem tombado, a Praça N. Sra. da Paz, inegável valor ambiental, cultural , histórico etc.


O impacto no ambiente, na variada fauna e na sustentabilidade do bairro também serão severos. Árvores quase centenárias serão retiradas sem nenhuma garantia que resistirão a posterior plantio. Substituídas por mudas, levarão mais outros cem anos para chegarem à exuberância atual.
Por conta destes desmandos, o orçamento para as medidas compensatórias previstas na Licença de Instalação do INEA número 20/2012 é de apenas R$ 1.569.000.000,00 – um bilhão quinhentos e sessenta e nove milhões de reais!!!
Causa perplexidade e espanto os motivos que levaram o Governo do Estado ter optado por método tão predatório se na mesma obra vai usar tecnologia de ponta.
Com o enorme crescimento das cidades, se faz cada vez mais premente o uso de seus subsolos para obras de infra estrutura.
Sendo impossível, e também não desejável, destruir o patrimônio cultural, arquitetônico, histórico, social e ambiental dos quais as cidades são guardiãs, a opção mais avançada em engenharia é a obra no método subterrâneo que não alcança a superfície.
Dessa forma os transtornos são mínimos para a população e a preservação fica totalmente garantida.
É completamente fora de propósito que a obra do metrô venha com o tatuzão escavando o túnel pela Rua Barão da Torre, e quando chega à Praça N. Sra. da Paz, bem tombado e que deveria estar na prioridade máxima de preservação por parte autoridades, o avanço todo para, e voltamos à idade da pedra em termos de engenharia usando técnicas que foram eficientes nos anos 60, mas que hoje são consideradas totalmente ultrapassadas.



Ignez Barretto – coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema

2 comentários:

Helio Bandeira disse...

Para que a pressa em destruir a Praça N. Sra. da Paz e cortar várias de suas enormes árvores se existe um projeto alternativo que, além de preservar a Praça intacta com todas as suas árvores, ainda mantém a nova estação de metrô na região da Praça?

Hélio Bandeira disse...

O prefeito pede a compreensão dos cariocas sobre os transtornos no trânsito causados pelas obras da região portuária mas se esquece de pedir o mesmo com relação às obras do metrô de Ipanema. Transtornos no trânsito causados pela adaptação do projeto da estação, para preservar a Praça N. Sra. da Paz, são aceitáveis. Compensa suportar um ou dois anos de transtornos, quando o benefício é manter uma área verde belíssima por muitas décadas mais. A pressa para aprontar a cidade para a Copa e Olimpíadas atropela a preservação ambiental. Ideal seria que todos os bairros da cidade tivessem uma Praça com esta.