PRECONCEITO ? ?


Babá acusa clube na Lagoa de barrá-la por estar sem uniforme branco

Funcionária só entrou no Caiçaras após sócia confirmar que ela era convidada; estabelecimento nega

A babá Elaine Pacheco diante do clube: barrada mesmo com nome entre convidados Foto: Guilherme Leporace / O Globo
A babá Elaine Pacheco diante do clube: barrada mesmo com nome entre convidadosGUILHERME LEPORACE / O GLOBO
RIO - O que seria um agradável dia de lazer num dos clubes mais exclusivos da cidade terminou em acusação de discriminação, na última terça-feira. Convidada por uma amiga, sócia do Caiçaras, na Lagoa, para levar os filhos para brincar no local, Sabina Wasserman avisou que não poderia ir e que, em seu lugar, mandaria a babá. O nome de Elaine Pacheco, que trabalha há dois anos para Sabina, foi deixado na portaria do clube, junto dos das crianças. Ao chegar, porém, Elaine diz ter sido barrada por não estar de uniforme branco, como noticiou Ancelmo Gois em seu blog no GLOBO.
Quando Elaine chegou, um dos seguranças a teria chamado de lado e perguntado se ela era babá. Quando a moça, que é negra, confirmou, teria sido avisada de que só poderia entrar se estivesse de uniforme branco. Elaine alegou que seu nome constava na lista de convidados mas, mesmo assim, os funcionários do clube impediram sua entrada. O impasse só foi solucionado quando a sócia, Fernanda Lewit, foi localizada e autorizou a entrada dela sem uniforme.

— Me julgaram pela minha cor e pela minha aparência. Eu disse que meu nome estava na lista. Ele (segurança) me chamou num canto e disse que babás só entram com uniforme. Eu pretendo entrar na Justiça — diz Elaine.
Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburguer, o caso conjectura constrangimento social.
— Se ela tem um entendimento com a patroa que não vai usar uniforme, ela não vai usar uniforme. É um direito dela. Um clube não pode ter normas que contrariam a lei. Foi uma atitude totalmente discriminatória. O fato de ser convidada piora a situação.
Para os patrões de Elaine, Sabina e Fábio Wasserman, o fato é inaceitável:
— Os nomes da Elaine e dos meus dois filhos estavam na lista de convidados do clube, mas isso não impediu o porteiro de tentar barrá-la. É um absurdo. E se ela fosse a mãe das crianças? Uma mulher negra não pode adotar crianças brancas? — indaga Sabina.
A sócia do Clube dos Caiçaras confirmou que deixou o o nome de Elaine na portaria.
— Eu sabia que ela não usa uniforme e deixei o nome como convidada. A questão foi mesmo porque ela estava sem uniforme — diz.
Responsável pelo livro de ocorrências do clube, Patrícia Freixo, num primeiro momento, disse que o nome de Elaine constava na portaria. Segundo ela, o segurança teria perguntado se ela era babá porque é praxe dos sócios pedirem que as babás de seus filhos ou as de seus convidados usem uniforme para que não tenham que pagar uma taxa pela entrada delas como convidadas. De branco, elas têm entrada franca.
— É parte do regimento interno a entrada de acompanhantes com uniforme. Isso vale para motorista, babá. O uniforme dá entrada franca.
Depois, Patrícia voltou atrás e disse que constava como convidada o nome da patroa de Elaine, não o de Elaine.
Clube dos Caiçaras nega preconceito
O Clube dos Caiçaras explicou que permite o ingresso de babás que trabalhem para associados ou seus convidados, sem a contagem de convites, desde que estejam uniformizadas. Em nota, o clube alega que Elaine chegou “sem estar vestindo roupa branca e sem que seu nome estivesse na lista de convidados”. O Caiçaras disse ter entrado em contato com a sócia, que, “então, incluiu o nome da babá em sua relação de convidados, e a mesma adentrou o clube, sem qualquer restrição.”
No início do ano, um diretor do Clube Paissandu, no Leblon, foi acusado de racismo contra uma babá.

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